Clonagem Humana: Poderemos um dia fazer cópias de nós mesmos?

Clonagem Humana: Poderemos um dia fazer cópias de nós mesmos?

Primeiramente é preciso entender como acontece o processo natural de reprodução humana. Todos nós possuímos células reprodutoras. Nas mulheres essas células são os óvulos e nos homens são os espermatozóides.

No momento da fecundação, milhões de espermatozóides são eliminados, e apenas um consegue vencer todas as barreiras e penetrar o óvulo, dando origem a um processo de multiplicação celular.

Os seres humanos têm em sua composição genética 46 cromossomos. Cada espermatozóide possui 23 cromossomos do pai e cada óvulo possui vinte e três cromossomos da mãe. Após a fecundação a nova célula formada com 46 cromossomos começa a multiplicar-se.

É nessa fase que acontece algo que os cientistas ainda tentam compreender: essas células embrionárias, chamadas de células tronco têm a capacidade de transformar-se em qualquer estrutura, em qualquer tipo de tecido celular. As células tronco que ficam na parte externa do futuro embrião formarão a placenta e a bolsa aminiótica, que serão fundamentais para o desenvolvimento do novo ser.

As células tronco internas darão origem ao embrião em si, todos seus órgãos, tais como cérebro, pulmões, coração, fígado, rins, olhos, membros superiores e posteriores, e toda estrutura para formar o novo ser, que nascerá após o seu desenvolvimento estar totalmente completo.

Após um certo estágio da multiplicação celular, as células tronco perdem sua capacidade de transformar-se em qualquer tipo de tecido celular ou estrutura celular, tornando-se especializadas para determinadas funções e ativam apenas os genes responsáveis pelo funcionamento do novo órgão que foi criado. Para exemplificar melhor: as células que formaram um coração serão capazes apenas transformar-se em células cardíacas. Nesse estágio as células são conhecidas como células somáticas diferenciadas.

Entendendo essa parte fica um pouco mais fácil de entendermos os desafios de clonar um ser humano.

Na verdade, as experiências feitas com clonagem começaram a ter sucesso com o nascimento da ovelha Dolly em 05 de julho de 1996, quando cientistas conseguiram implantar o DNA do núcleo de uma célula somática diferenciada de uma ovelha adulta, extraída de sua glândula mamária, ao núcleo de uma célula reprodutora, no caso um óvulo, cujo núcleo havia sido extraído.

Surpreendentemente, após 276 tentativas frustradas, uma célula foi “fecundada” por este processo, dando origem a um novo ser, com as mesmas características da ovelha original.

Porém nesta experiência de sucesso também ocorreram alguns problemas. Os telômeros, extremidades dos cromossomos da ovelha Dolly foram medidos, e aparentavam ter a mesma idade dos cromossomos originais. Com o processo natural de envelhecimento, os cromossomos sofrem uma diminuição no tamanho de suas extremidades.

Descobriu-se depois que ela tinha artrite, doença que acomete animais mais velhos, o que levou os cientistas a concluírem que ela apresentava um quadro de envelhecimento precoce. Dolly morreu com sete anos de vida, no dia 14 de fevereiro de 2003 devido a um grave problema pulmonar. Muitas outras experiências foram realizadas com outros animais, e até um gato batizado de Copy Cat, foi clonado.

Na China foi criado recentemente, em 2015, um centro de clonagem de animais, com o investimento de trinta e um milhões de dólares. Com a finalidade de clonar gado bovino, cavalos de corrida e animais domésticos, ele foi instalado na cidade de Tianjin e terá a capacidade de produzir até dez mil embriões bovinos por ano. Mas mesmo com o relativo sucesso da clonagem, ao gerar novos seres através da união de uma célula somática diferenciada à uma célula reprodutora, muitos problemas surgiram e não tiveram solução.

Muitos animais clonados tiveram malformações genéticas, apresentaram tumores, baixa imunidade, lesões hepáticas e outras doenças congênitas.

Por todos estes problemas, e além de questões morais, éticas e religiosas e a falta de segurança em gerar bebês bem formados e saudáveis é que a clonagem humana não é permitida. Além dessas questões, ainda não foi possível clonar nenhum primata com sucesso até hoje.

Talvez no futuro, se esses desafios forem superados e o homem tiver o completo domínio das técnicas de clonagem para realizá-las com total segurança, e outras questões de cunho moral e religioso forem equacionadas, possamos então ter clones humanos convivendo conosco, modificando assim a vida em nosso planeta.

José F. H. Ortiz


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