Quais as esperanças de cura do Covid-19

Quais as esperanças de cura do Covid-19

As pesquisas na indústria farmacêutica para desenvolver medicamentos que combatam eficazmente o novo coronavírus estão a todo vapor. Alguns remédios, já utilizados no tratamento de doenças conhecidas estão sendo testados, e os pesquisadores acreditam que em breve teremos à disposição medicamentos que possam garantir aos doentes mais graves a chance de combater a doença, que em muitos casos pode ser fatal.

O teste de princípios ativos aprovados, usados para tratamento de outras doenças, garante maior agilidade justamente pelo fato que esses medicamentos encontram-se disponíveis na indústria farmacêutica, além de ter sua segurança comprovada em estudos clínicos, necessários para que pudessem ser autorizados pelas agências reguladoras da área da saúde. A principal questão a respeito do uso desses remédios diz respeito à dosagem adequada para combater o agente infeccioso, que deve ser eficaz no combate à doença e cujos benefícios devem ser maiores que eventuais efeitos colaterais.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou uma pesquisa global com o objetivo de testar em milhares de pacientes quatro terapias promissoras contra a Covid-19. Dois medicamentos atualmente em testes são a hidroxicloroquina e a cloroquina. Estes medicamentos, usados para tratamento de doentes com malária e doenças autoimunes e reumatológicas, ganhou fama por ter um promissor potencial de combater o novo coronavírus.

Pesquisadores acreditam que essas drogas estimulam o sistema imunológico do paciente, para responder ao agente invasor. Porém estes medicamentos podem ter efeitos colaterais graves no organismo do paciente, tais como complicações cardiovasculares, risco de insuficiência renal e hepática e alterações na visão.

O maior problema encontrado nos testes desses medicamentos é justamente a urgência da pandemia, que está vitimando milhares de pessoas no mundo todo diariamente. Algumas pesquisas estão sendo criticadas pela própria comunidade científica, sobretudo pelo fato de contarem ainda com poucas pessoas, além de dispensarem alguns ritos básicos neste tipo de estudo.

Citam por exemplo o fato desses medicamentos não serem comparados com o uso de medicamentos de placebo, e nem serem submetidos à análise de outros cientistas antes da publicação. O teste de efeito placebo consiste na realização de testes clínicos em que alguns participantes recebem a droga real, cujos efeitos estão sendo pesquisados, e outros recebem o placebo, que simula um medicamento, porém não possui nenhum efeito farmacológico.

Em geral os participantes não sabem qual remédio estão tomando. A eficácia do medicamento que está sendo desenvolvido é medida pela diferença entre o efeito placebo e o efeito do medicamento real que está sendo testado. Para que um remédio seja aprovado pelos órgãos de controle e possa ser colocado à venda, ele precisa superar a performance do placebo por uma margem significativa.

Algumas indústrias farmacêuticas que produzem a hidroxicloroquina e a cloroquina já anunciaram a doação de milhões de doses do medicamento, e apoiarão estudos com diversos pacientes infectados pela Covid-19 em estado grave. Num estudo produzido na França, a hidroxicloroquina obteve um efeito mais eficaz quando combinada com a azitromicina, antibiótico normalmente receitado para tratar doentes acometidos por infecções de garganta e pneumonias bacterianas.

Os resultados desse estudo estarão disponíveis em breve, num tempo bem mais curto do que seria numa pesquisa científica habitual. Também são esperados os resultados de estudos de antirretrovirais, tais como o ritonavir e lopinavir, que formam um dos coquetéis usados para controlar o vírus da AIDS. Porém, quanto a esses medicamentos os resultados preliminares não foram muito satisfatórios, visto que pesquisadores de Wuhan (China), o epicentro da pandemia, administraram o coquetel em 199 indivíduos que estavam em estado grave e não observaram diferença entre esse grupo e o grupo que recebeu o tratamento padrão.

Apesar disso as pesquisas prosseguirão e esses medicamentos ainda continuarão a ser testados. Essa tentativa deve se à conclusão de que o novo coronavírus depende de certas enzimas para se multiplicar, e alguns medicamentos usados contra o HIV são inibidores enzimáticos. Os pesquisadores acreditam que esse fator poderia dificultar a replicação do vírus no organismo.

Também serão avaliados os antirretrovirais combinados com o interferon beta. Este último é utilizado no tratamento da hepatite C, e ajuda a regular a inflamação do corpo. Os pesquisadores suspeitam que uma das razões para o agravamento dos quadros de Covid-19 seria a resposta inflamatória exagerada do organismo. Há estudos também relativos ao medicamento remdesivir, um composto que atua contendo a replicação de determinados vírus.

Essa droga, ainda em fase experimental, já foi testada em 2019 durante o surto de ebola no Congo, porém sem efeitos positivos. Ainda assim, duas pessoas com quadros graves de Covid-19 que receberam doses do remdesivir nos Estados Unidos e se recuperaram bem, sendo que um deles foi o primeiro caso diagnosticado naquele país. Mas esses são números ainda são insuficientes, cientificamente, para atestar a eficácia do medicamento em larga escala.

Os pesquisadores da área da saúde e indústria farmacêutica estão diante de um enorme desafio. Se por um lado a pandemia tem demonstrado crescimento em quase todos os países, apesar das orientações das autoridades e medidas impostas à população no sentido de frear o avanço da doença, por outro lado torna-se urgente que sejam disponibilizados medicamentos para tratar os doentes graves, que em sua maioria precisam de internação em UTIs que disponham de respiradores artificiais.

A maioria dos países não possui estrutura médica que disponibilize a quantidade de leitos especializados necessários para atender a demanda, visto que o número de casos cresce exponencialmente e o tratamento é lento. Um remédio para tratar doentes mais graves seria a solução para frear o número de mortes que o Covid-19 tem provocado, enquanto as pesquisas para a criação de uma eventual vacina não fica pronta, o que ainda poderá demandar muitos meses para serem concluídas.

master

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