O perigo real das Super Bactérias

O perigo real das Super Bactérias

O que transforma bactérias comuns em super bactérias? Para responder a esta pergunta é preciso entender um pouco sobre a teoria da seleção natural, publicada em 1859 pelo naturalista inglês Charles Darwin. Nela, Darwin explica que criaturas mais adaptadas às condições do ambiente são mais favorecidas e tendem a deixar descendentes, em oposição àquelas menos adaptadas.

Mas o que pode provocar essa diferenciação entre as bactérias, tornado-as algumas resistentes a um ou a vários tipos de antibióticos? Quando as bactérias são expostas a um antibiótico, as mais fracas tendem a morrer. Porém, as mais fortes podem sobreviver e se multiplicar, transmitindo seus genes a seus descendentes, que terão imunidade ao agente anti-microbiano fazendo com que ele perca seu efeito.

Por isso é importante que a prescrição correta do antibiótico seja feita para cada tipo de infecção, na dose e no tempo certo para eliminar, inclusive, as bactérias mais resistentes. Quando um desses fatores não é levado em consideração, sem querer, podemos desenvolver novas classes de bactérias que se tornam resistentes aos medicamentos. E o problema é que elas tendem a se multiplicar, tornando-se um problema de saúde pública.

Além disso, setores do agronegócio têm utilizado antibióticos para promover maior crescimento de animais de abate, de forma totalmente irresponsável. Com isso o solo e os lençóis freáticos acabam sendo contaminados e por consequência atingem seres humanos, que por sua vez, ao portarem alguma bactéria acabam promovendo sua resistência, tornando-a imune aos medicamentos tradicionalmente usados no tratamento dessas enfermidades.

As super bactérias, em geral, estão restritas ao ambiente hospitalar e aos centros cirúrgicos. Muitas vezes as infecções acontecem pelos próprios agentes de saúde, como médicos e enfermeiros, e também por meio dos instrumentos hospitalares.

Instrumentos cirúrgicos podem propagar infecções se não forem devidamente esterilizados.

Geralmente elas representam um grave risco à saúde e à vida de pacientes debilitados. No mundo todo atualmente as infecções bacterianas matam 700.000 pessoas, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde). Estima-se, de acordo com um estudo do governo britânico, que se não forem tomadas medidas eficazes para reverter esse quadro, em 2050 mais de 10 milhões de pessoas morrerão por problemas causados por bactérias resistentes, em todo o mundo. E os principais países afetados seriam os que dispõem de menos infra-estrutura hospitalar e de saneamento básico, como países na África e Ásia. A super bactéria KPC (Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase) foi identificada pela primeira vez no ano 2000 nos Estados Unidos, tendo sofrido uma mutação genética, tornando-se resistente a antibióticos e a outros tipos de bactérias. Ela pode causar infecções sanguíneas, urinárias, pneumonia e muitas vezes pode evoluir para um quadro de infecção generalizada.

Bactéria vista em microscópio eletrônico

Fora dos ambientes hospitalares ela habita a água, as fezes, está presente no solo, em vegetais, cereais e frutas. Mas a transmissão ocorre em ambiente hospitalar, através de contato com secreções infectadas, quando não são respeitadas as normas básicas de higiene e desinfecção de materiais e instrumentos.

As vítimas geralmente são os mais vulneráveis, tais como idosos, crianças, pessoas debilitadas, com imunidade baixa ou doenças crônicas. Também estão sujeitos a contrair essas super bactérias quem está submetido a longos períodos de internação hospitalar, dentro ou fora da UTI.

As maneira mais eficaz de promover a proteção contra as super bactérias e também contra as bactérias comuns é manter sempre o hábito de lavar as mãos com água e sabão, e após, desinfectá-las com álcool gel. Isso deve ser feito tanto pelos profissionais de saúde quanto pelas visitas, uma vez que sem esses cuidados básicos podem tornar-se agentes transmissores.

O uso sistemático de aventais de mangas compridas, máscaras e luvas descartáveis sempre que houver contato com os pacientes, a desinfecção e a esterilização rotineira dos equipamentos e dos instrumentos médico cirúrgicos é uma forma eficaz e segura de combater a contaminação das pessoas.

Já existem pesquisas em andamento para o desenvolvimento de novas drogas contendo vírus que atacam as superbactérias destruindo a paredes de suas células, sem causar danos ao nosso organismo nem prejudicar microorganismos benéficos ao corpo humano. A ação desses medicamentos difere dos antibióticos, pois estes atacam o interior das células bacterianas, o que as fez desenvolverem membranas impermeáveis.

Os pesquisadores acreditam que como a nova droga age nas paredes celulares, as super bactérias estarão indefesas e poderão ser finalmente eliminadas do organismo infectado.

master

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