Coronavírus… a humanidade está preparada?

Coronavírus… a humanidade está preparada?

O mundo nunca teve uma população humana tão grande. Atingimos a marca de 7,7 bilhões de pessoas em nosso planeta. E grandes concentrações de pessoas vivendo em locais muito próximos oferecem riscos cada vez maiores. As doenças contagiosas estão surgindo com mais intensidade e nas últimas décadas vivenciamos o surgimento de novas doenças, com potencial para se tornarem pandemias.

A SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave), a MERS (Síndrome Respiratória do Oriente Médio), o vírus Ebola, e a Gripe Espanhola se espalharam pelo mundo com potencial de matar milhares de pessoas, e juntamente com o novo Coronavírus, ameaçam a vida de todos que tenham contato com pacientes infectados.

A Gripe Espanhola foi uma das piores pandemias já registradas. Surgiu em 1918, no fim da Primeira Guerra Mundial, durante um período de migração em massa quando os soldados, ao retornarem para casa, levaram a doença para comunidades que não tinham resistência ao vírus. Um estudo afirmou que a origem da Gripe Espanhola estaria em um acampamento militar, que abrigou cerca de 100 mil soldados.

A epidemia se espalhou por quase todas as partes do mundo, matando em torno de 50 a 100 milhões de pessoas, entre seis e nove meses após o início das contaminações. No caso do novo Coronavírus, ao que tudo indica, a transmissão acontece como nas gripes comuns, através do contato com gotículas expelidas quando o doente tosse ou espirra. O vírus sobrevive por um tempo limitado fora do organismo.

Outras doenças, como a provocada pelo vírus Ebola na África, atingiram apenas pessoas próximas, que tiveram contato direto com pacientes infectados, através de fluídos corporais ou sangue. Um fator importante de preocupação dos governos de todos os países é com o número cada vez maior de viagens internacionais, principalmente de avião e trens de alta velocidade.

Somente no ano de 2019 as companhias aéreas transportaram em torno de 4,5 bilhões de passageiros pelo mundo. Neste cenário, os vírus circulam com maior rapidez e viajam longas distâncias em um curto período de tempo, tornando o risco de transmissão em massa muito elevado.

Para se ter uma ideia, apenas poucos dias após a descoberta do novo Coronavírus mais de 16 países anunciaram suspeitas de contaminação. O surto do novo coronavírus teve início na mesma época das comemorações do Ano Novo Chinês, ocasião em que a China vivencia a maior migração humana do mundo. Nesta época são realizadas mais de três bilhões de viagens ferroviárias pelo país, sendo que Wuhan, o epicentro da crise, é conhecida como a principal estação de serviço ferroviário de alta velocidade.

Para tentar conter o surto, o governo chinês foi obrigado a tomar medidas drásticas suspendendo conexões de transporte público, isolando cidades inteiras, fechando pontos turísticos e cancelando eventos, inclusive várias festividades comemorativas do Ano Novo Chinês.

Apesar de toda integração mundial atual, não há ainda um sistema de saúde global que atenda emergências de caráter de uma pandemia. Ainda somos dependentes das ações do governo do país em que se originou determinado surto. Caso ocorra um fracasso no combate à doença no local de origem, o mundo todo fica exposto aos riscos. Durante o surto do Ebola na África, ficou evidente a falta de preparo na contenção da doença, o que fez com que o vírus se espalhasse para outras regiões, matando cerca de 11.300 pessoas.

O problema só não foi maior devido ao fato de que o vírus Ebola não se propaga tão rapidamente quanto os vírus que atingem o sistema respiratório, como é o caso do novo Coronavírus. Há também fatores que influenciam diretamente a propagação de certos tipos de vírus e doenças, multiplicando as chances de contaminação e descontrole no combate às suas causas e efeitos.

A pobreza e a consequente existência de sistemas de saúde frágeis, somados à falta de leis e educação sobre higiene e saneamento básico são alguns desses fatores de risco. Esses problemas, presentes em muitos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, somados às altas densidades demográficas, tornam o risco de uma pandemia global algo cada vez mais real e iminente.

Desta forma, não há como prever de onde surgirá o próximo surto de uma doença provocada por um novo vírus. Mais eficaz do que tentar adivinhar, ou mesmo criar remédios para combater essas novas doenças, seria atuar na prevenção. Tudo isso demanda políticas públicas e investimento em saúde, educação e saneamento básico, além da melhoria das condições de vida em países que estão muito atrasados frente aos mais desenvolvidos.

Apesar do aumento de surtos de novas doenças, como o novo coronavírus, há uma expectativa de que menos mortes sejam causadas, sobretudo em países prósperos economicamente, como é o caso da China. Com a melhoria da economia, a tendência é que o acesso à higiene básica e à saúde também melhore. Neste mesmo aspecto, o acesso às informações e recomendações disseminadas pelos meios de comunicação tornam-se importantes aliados ao combate das doenças, evitando assim novas infecções.

Além disso, o desenvolvimento da medicina e a criação de novas vacinas com um tempo de resposta cada vez menores, aliado à construção de modernos hospitais e centros de saúde, serão fatores determinantes para que possamos vislumbrar um horizonte mais seguro, garantindo assim a saúde de todos em escala mundial.

master

Envie-nos seu comentário

%d blogueiros gostam disto: