Como surgiu o Coronavírus e outras epidemias?

Como surgiu o Coronavírus e outras epidemias?

O novo Coronavírus surgiu na China, mais precisamente na cidade de Wuhan. A SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave) de 2002 e a Gripe Aviária de 2005 também surgiram naquele país.

Ainda no século 14, período conhecido como Idade Média, o país foi o palco de origem da Peste Bubônica, bactéria transmitida pelas pulgas que infestavam ratos e outros roedores e infectavam os seres humanos. A doença se alastrou pela Europa e estima-se que tenha matado 15% da população mundial daquela época, ou seja, 75 milhões de pessoas.

A China é o país mais populoso do mundo, com cerca de 1,4 bilhão de pessoas, e tem um histórico de desnutrição agúda em sua população. Acredita-se que esses fatores sejam responsáveis pelo surgimento dessas e outras doenças. Essa desconfiança é reforçada pelo fato dos chineses consumirem todo tipo de animal, inclusive alguns bem exóticos.

Também é levado em conta o fato da criação dos animais ser feita muito perto ou mesmo dentro de casa, sobretudo porcos e aves. Essa proximidade com os animais leva à contaminação humana, e pode atingir escalas globais, contaminando pessoas ao redor de todo o mundo.

Vírus são conjuntos complexos de moléculas capazes de produzir cópias de si mesmas, utilizando um hospedeiro. Em geral, quando um vírus invade um organismo vivo, eles “seqüestram” suas células, desencadeando uma resposta inflamatória violenta. A partir de então o sistema imunológico do organismo que foi invadido mobiliza as células de defesa, com o objetivo de combater o invasor.

Coronavírus são grupos de vírus que possuem características em comum. Portanto, não existe apenas um tipo de Coronavírus, existem vários tipos. O surto chinês atual é apenas o exemplo mais recente de várias crises de saúde pública que surgiram mundialmente nas últimas décadas.

Os pesquisadores acreditam que o hospedeiro natural do Coronavírus atual seja o morcego, pois os vírus, bem como as bactérias, fungos, etc., em geral parasitam em outros animais antes de se tornarem doenças epidêmicas, conhecidas por zoonoses. Outros tipos de vírus do mesmo grupo, que causaram doenças como a SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave), surgida na China em 2002 e que ocasionou a morte de mais de 800 pessoas e também a MERS (Síndrome Respiratória do Oriente Médio), semelhante ao novo Coronavírus e que matou várias pessoas em 2012, surgiram de morcegos que infectaram outros animais, que tinham contato com humanos e transmitiram o vírus. No caso da SARS, o hospedeiro que transmitiu o vírus para humanos foi a Civeta, um tipo de mamífero. Já no caso da MERS, o animal que provavelmente transmitiu o vírus para humanos foi o camelo.

Os morcegos carregam diversos vírus em seu organismo sem apresentarem sintomas. Isso acontece por serem mais tolerantes às infecções, devido à proteína responsável pela resposta inflamatória à agentes invasores produzida por eles ser menos agressiva e mais tolerante a bactérias e vírus. Isso acontece pois estes mamíferos gastam muita energia para voar, e neste processo a queima de energia produz resíduos de DNA que se desprendem e circulam pela corrente sanguínea, que poderiam ser confundidos com vírus ou bactérias invasoras.

Como adaptação a este tipo de ocorrência, o organismo do morcego desenvolveu um sistema mais tolerante de resposta imunológica, pois do contrário o sistema de defesa do organismo estaria sempre em alerta e atacaria a si mesmo.

Contudo, apesar dos morcegos serem animais que carregam vírus e bactérias nocivos e que podem ser transmitidos a outros animais, eles são muito importantes para a natureza, pois comem toneladas de insetos transmissores de doenças. Além disso, são responsáveis pela polinização de muitos tipos de frutas, sendo animais muito importantes para o equilíbrio ecológico. Como a contaminação com humanos surgiu provavelmente do contato com outros animais silvestres, o foco do combate deve ser o tráfico desses animais, que além de alimentar um comércio ilegal, traz prejuízos para a natureza e para a saúde de todos os seres humanos. Os humanos tem pouquíssimo contato com morcegos. O mais provável, de acordo com os pesquisadores, é que um mamífero asiático, conhecido como pangolim, serviu como hospedeiro intermediário. Acredita-se que este mamífero foi infectado em seu habitat natural por morcegos, e posteriormente transmitiu o vírus aos seres humanos que tiveram contato com ele. O pangolim é um mamífero que tem aparência semelhante ao tatu e habita regiões da África e da Ásia. Sua carne é apreciada como uma iguaria e suas escamas são usadas na medicina tradicional chinesa. Por isso mesmo é um animal muito procurado, e mesmo sendo protegido pelas leis internacionais por estar ameaçado de extinção, é considerado o animal mais traficado do mundo.

Os pesquisadores chegaram à conclusão de que esse seria o transmissor do novo coronavírus, após analisarem amostras de mais de mil animais selvagens. A pesquisa conduzida por cientistas da Universidade Agrícola do Sul da China levou em conta que o material genético do novo coronavírus, chamado 2019-nCoV. Ele tem semelhança de 99% ao material genético do vírus encontrado nos pangolins.

Apesar de ainda não ser uma pesquisa conclusiva, este estudo revelou que os cientistas erraram ao desconfiar que o hospedeiro pudesse ser uma cobra asiática, comercializada numa feira em Wuhan, de onde o surto teve início. Coronavírus parecidos com o que infectou seres humanos só foram encontrados em aves e mamíferos, e não em répteis. Os pangolins, assim como diversos outros animais silvestres, são comercializados em um mercado em Wuhan.

Por isso mesmo é difícil saber com precisão qual foi a espécie de animal que originou a transmissão, pois a lista de possíveis animais hospedeiros é bem extensa. A descoberta de onde surgiu a contaminação é muito importante para poder frear o avanço da contaminação, que se tornou um problema em escala mundial, forçando cidades inteiras a promover quarentenas e medidas para conter o avanço do vírus.

master

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