A incrível ponte Rio-Niteroi

A incrível ponte Rio-Niteroi

Baía, por definição, é um tipo de relevo litorâneo caracterizado por uma porção de mar ou oceano rodeada por terra, em oposição a um cabo. Caracteriza-se por apresentar uma forma arredondada quase fechada, lembrando a forma da letra “u” ou de uma ferradura. As baías detêm importância econômica e estratégica, pois são, em geral, locais ideais para construção de portos e docas.

A baía da Guanabara, segunda maior baía do litoral brasileiro, possui uma área de cerca de 380km², englobando praticamente toda a Região Metropolitana do Estado do Rio de Janeiro. Por sobre ela foi construída a ponte Rio-Niterói, que é a principal interligação entre a capital fluminense e a cidade de Niterói, além do interior do estado do Rio de Janeiro, Região dos Lagos e litoral Norte Fluminense.

Imagem do Rio de Janeiro com a ponte Rio-Niteroi ao fundo.

Essa obra fantástica inaugurada em 04 de março de 1974, já tinha sido idealizada por figuras ilustres. O imperador Dom Pedro II, em 1875, chegou até a contratar um engenheiro inglês para viabilizar o projeto de construção de um túnel que unisse as duas cidades. Mas o projeto não teve sucesso e ficou apenas na intenção do monarca.

Foi preciso aguardar quase um século para que finalmente, em 1968, as obras tivessem início. Antes de sua inauguração, para fazer a travessia Rio-Niterói de carro era preciso dar a volta na Baía de Guanabara. Uma segunda alternativa seria pegar uma grande barca, que transportava 54 veículos por vez, cuja demora poderia chegar até duas horas, entre esperas e a travessia.

Vista de Niteroi com a ponte ao fundo.

A ponte Rio-Niterói, além de ser um grande marco da engenharia nacional, ainda ostenta o título de possuir o maior vão em viga contínua do mundo com 300 metros de largura e 72 metros de altura. Também é considerada uma das maiores pontes do planeta em área construída.

Foram gastos tantos materiais em sua construção, que caso os sacos de cimento usados na obra fossem colocados um sobre o outro, atingiriam uma altura bem superior ao Pão de Açúcar, um dos cartões postais mais famosos do Rio de Janeiro! O projeto de construção da ponte também envolveu a criação de toda estrutura viária de acesso, nas cidades do Rio de Janeiro e Niterói.

Foram construídos vários quilômetros de viadutos e rampas para garantir a integração da ponte ao sistema viário local, o que fez com que a obra alcançasse um total de treze quilômetros de extensão. Os nove quilômetros de ponte erguidos sob o mar exigiu um complexo e cuidadoso planejamento, necessário para que execução da obra tivesse êxito. Mesmo assim, ocorreram várias interrupções no início dos trabalhos, por problemas burocráticos, além do triste fato de um acidente ter vitimado fatalmente, por afogamento, alguns operários que trabalhavam na construção.

Antes do projeto definitivo da ponte ser aprovado, o governo estudou outras propostas. Numa delas, o trajeto passaria perto do aeroporto. Apesar de ser um trajeto mais curto ele foi rejeitado, pois a ponte teria que ter no máximo 50 metros de altura, o que dificultaria o fluxo de grandes navios na Baía da Guanabara. Outro projeto, visando facilitar a navegação, também foi descartado por ser mais longo que o projeto que se efetivou.

Sem dúvida, o grande desafio desta gigantesca obra de engenharia foi o longo trecho sobre o mar. Isso obrigou que fosse feito um trabalho inicial de perfuração do subsolo oceânico, com o objetivo de buscar um terreno rochoso que suportasse o peso da estrutura da ponte. A construção das fundações foi feita com ajuda de ilhas flutuantes, que serviam de plataforma para levar os equipamentos de perfuração a grandes tubos, que os protegiam da água do mar.

As perfuratrizes tinham que atingir rochas sólidas capazes de sustentar o peso da ponte, e nos buracos abertos nessas rochas foram instalados longas tubulações metálicas, posteriormente preenchidas com concreto, que iam do subsolo do oceano até a superfície do mar. As fundações da ponte foram construídas sobre cada grupo de dez tubulações instaladas, formando uma base de concreto maciço com seis toneladas de peso e dois metros e meio de altura.

Sobre essa base foram encaixados os pilares, posicionados em pares para sustentar as duas pistas da ponte. Foram usados um total de cento e três conjuntos de sustentação formados por tubulações, base de concreto e pilares, nos nove quilômetros sobre o mar. Estruturas pré-moldadas foram usadas para formar as duas pistas da ponte.

Elas eram içadas com a ajuda de grandes guindastes apoiados nas bases dos pilares e eram encaixadas umas nas outras. Essas peças, chamadas de aduelas, pesavam cento e dez toneladas e mediam cinco metros de comprimento.

Ponte Rio-Niteroi

Na parte central da ponte, como era necessária uma distância maior entre pilares para permitir a passagem dos navios, as aduelas não foram utilizadas, pois elas não eram projetadas para instalação em vãos muito largos. Em seu lugar foram instalados blocos metálicos gigantescos, que somados totalizaram 850 metros.

Após seis anos do início das obras a ponte finalmente ficou pronta, e ganhou uma importância muito maior do que apenas uma via de ligação entre as duas cidades. Consagrou-se também como um importante ponto turístico do Rio de Janeiro, uma cidade com inúmeras belezas naturais, que atrai turistas do mundo todo. E assim, tornou-se mais um dos belíssimos cartões postais do nosso país!

master

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