A esperança de cura com Células Tronco

A esperança de cura com Células Tronco

Células-tronco são células que têm características muito especiais: elas possuem a capacidade de se auto-duplicarem, gerando células com características iguais. Além disso, elas podem transformar-se em diversas outras células especializadas, dando origem a qualquer órgão ou tecido. Existem três tipos de células-tronco: células-tronco embrionárias, células tronco adultas e células-tronco de pluripotência induzida (iPS).

A seguir falaremos sobre cada uma delas:

Células tronco embrionárias:

As células-tronco embrionárias são chamadas também de pluripotentes, por terem a capacidade de transformar-se em qualquer tipo de célula adulta. Elas são encontradas no interior do embrião, de 4 a 5 dias após a fecundação, estágio em que o mesmo é chamado de blastocisto. As células troco embrionárias são extraídas da massa celular interna do embrião, e apesar do estágio embrionário durar várias semanas, apenas estas células com 4 a 5 dias são consideradas células-tronco. Após esse período o embrião passa a apresentar células que já se especializaram, e iniciaram sua transformação em estruturas mais complexas, tais como células de órgãos como o coração ou sistema nervoso.

Para termos uma ideia, o corpo humano possui 216 tipos de células diferentes. As células-tronco embrionárias podem transformar-se em qualquer uma delas! É devido à esta capacidade que surgiu o enorme interesse da comunidade científica em aprofundar as pesquisas na área. Os pesquisadores acreditam que elas poderão ser usadas para o tratamento e possível cura de doenças degenerativas. Também poderá ser possível substituir órgãos que perderam suas funções devido à doenças e necessitam de um transplante ou mesmo a recuperação de funções motoras causadas por acidentes.

Segundo a professora Lygia da Veiga Pereira, do Instituto de Biociências da USP, chefe do Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias e integrante do Centro de Terapia Celular da USP Ribeirão Preto, as pesquisas visam ao entendimento sobre o funcionamento das células, ou seja, como elas se transformam em órgão especializados, como o fígado por exemplo. A partir dessa compreensão os pesquisadores poderão desenvolver medicamentos que estimulem o próprio organismo a produzir e multiplicar células saudáveis do órgão afetado por uma determinada doença, e desta forma consiga regenerá-lo tornando-o funcional novamente.

Células-tronco adultas:

As células-tronco adultas são responsáveis pela renovação das células do nosso corpo, e cada órgão possui certa quantidade delas. Porém estão presentes em maior número na medula óssea e no sangue do cordão umbilical. Elas podem dividir-se e gerar uma célula idêntica com o mesmo potencial ou uma célula diferenciada.

Apesar disso, são menos versáteis que as células tronco embrionárias, e por esse motivo são chamadas de multipotentes.

Dessa forma elas desempenham um importante papel na regeneração tecidual. As células-tronco hematopoéticas, localizadas na medula óssea vermelha dos adultos é um exemplo desse tipo.

Ela é responsável pela geração de todo o sangue do organismo.

Nos transplantes de medula óssea são essas células que são efetivamente substituídas.

Células-tronco de pluripotência induzida (iPS):

Essas células foram produzidas pela primeira vez em laboratório pelo pesquisador japonês Shynia Yamanaka no ano de 2006. O pesquisador e sua equipe conseguiram reprogramar as células da cauda de um camundongo, e com isto, elas voltaram a se comportar como células-tronco embrionárias! Após este feito, em 2007 as primeiras células induzidas humanas foram produzidas, a partir de tecido da pele humana. Para que isso acontecesse os
pesquisadores injetaram um vírus que continha quatro genes: oct-4, sox-2, Klf-4 e c-Myc.

Os genes, após serem inseridos no DNA da célula da pele reprogramaram seu código genético, fazendo com que voltassem a se comportar como células-tronco embrionárias, com características de autorrenovação e capacidade de transformar-se em qualquer tecido. Os pesquisadores desenvolvem essas pesquisas no sentido de compreender o que acontece com o organismo quando é atacado por alguma doença.

Suas pesquisas fornecem ferramentas para o desenvolvimento de novas drogas e terapias que podem ser testadas. Os três tipos de células tronco são importantes para as pesquisas, pois elas têm potenciais diferentes que podem ser explorados isoladamente, ou em conjunto, de maneira complementar.

Porém, ainda é cedo para saber se células-tronco de pluripotência induzida serão uma alternativa frente às demais. Ainda não há segurança no controle da ação do vírus utilizado para provocar a mutação nas células.

Muitos testes deverão ser feitos antes que se aprove um método que proporcione um resultado seguro frente aos riscos envolvidos. Há um extenso caminho até que se desenvolva uma técnica definitiva e plenamente aprovada para o uso em seres humanos.

As polêmicas envolvendo este tipo de pesquisa científica:

Com relação às pesquisas realizadas nos três tipos existentes citados, a que causa maior polêmica são as realizadas com o uso de embriões, como no caso das células-tronco embrionárias. Essa polêmica existe pelo fato de que o embrião é destruído com a retirada destas células, o que é considerado por muitos um tipo de ato criminoso contra a vida. Alguns países, dentre eles o Brasil, Estados Unidos, Japão, Canadá, China, Rússia e Reino Unido, fazem pesquisas e têm uma legislação definida que regulamenta o uso deste tipo de células.

Aliás o Brasil foi o pioneiro na América Latina a aderir à pesquisas com células tronco. Porém algumas religiões e grupos anti-aborto são contra esse tipo de pesquisa, por considerarem o momento da concepção como sendo o início da vida. Na visão deles, a destruição de um embrião para a retirada das células tronco seria considerado como um aborto.

No Brasil, a Lei de Biossegurança vigente previu estas considerações, permitindo que pudessem ser utilizados apenas embriões inviáveis nas pesquisas, ou seja, embriões que seriam descartados de qualquer maneira, por não poderem ser implantados no útero da mulher.

Polêmicas à parte, esse assunto com certeza será alvo de muitos debates entre a sociedade, à medida que os avanços científicos sejam alcançados. Contudo poderemos no futuro ampliar a perspectiva de vida das pessoas, com a cura de diversas doenças, que os pesquisadores da área da médica ainda não foram capazes de encontrar.

Além disso poderemos talvez superar vários tipo de deficiências, traumas na medula espinhal causados por acidentes, doenças hereditárias, doenças degenerativas. Além disso será uma alternativa de cura às doenças causadas pelo processo natural de envelhecimento ou por maus hábitos alimentares e também pelo abuso de substâncias prejudiciais à saúde.

Todos esses avanços científicos promoverão alívio ao sofrimento de milhares de pessoas, e trarão uma nova esperança. Afinal todos nós desejamos desfrutar de uma vida plena, e para alcançarmos isso, ter saúde e qualidade de vida são requisitos fundamentais!

José F. H. Ortiz

master

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