A descoberta da penicilina e a revolução na medicina

A descoberta da penicilina e a revolução na medicina

Antes da descoberta da penicilina muitas pessoas morriam por infecções causadas pela ação de bactérias. Para termos uma ideia, uma bactéria pode se reproduzir 16 milhões de vezes em um período de apenas 24 horas.

Antes dessa extraordinária descoberta científica, simples acidentes como ferimentos causados por pregos enferrujados, ou mesmo doenças que hoje são consideradas de fácil tratamento, como gonorréia, sífilis, febre reumática e pneumonia, eram fatais.

Para estudar formas de combater as bactérias sem causar danos ao organismo dos pacientes, um médico e biólogo escocês que havia atuado na Primeira Guerra Mundial, conduzia suas pesquisas no hospital em que trabalhava em Londres, capital da Inglaterra.

Alexander Fleming realizava suas pesquisas em cultura de bactérias, utilizando placas com nutrientes, em que as bactérias eram depositadas. Ele observava o crescimento e desenvolvimento dessas bactérias a fim de descobrir algum agente que pudesse eliminá-las de forma segura. A descoberta do primeiro antibiótico deu-se por um simples descuido por parte do pesquisador.

Ao retornar de suas férias, o Dr. Fleming notou que havia esquecido sobre a mesa do laboratório placas de cultura da bactéria Staphylococcus Aureus, que causava graves infecções em contato com o organismo humano. As mesmas haviam literalmente mofado, devido ao calor excessivo que fazia naquele ano.

Staphylococcus Aureus

Ao notar que seu experimento tinha sido contaminado por fungos, percebeu que certa área ao redor deles estava livre das bactérias. Intrigado com esse resultado, decidiu pesquisar melhor o que havia acontecido durante sua ausência. Ele descobriu que o fungo Penicillium notatum secretava uma substância, batizada por ele de penicilina, que eliminava as bactérias.

Com o aprofundamento dos estudos sobre a Penicilina descobriu se também que ela eficaz no combate a outros tipos de bactérias, e não era tóxica para o organismo humano. O termo antibiótico, usado para a classe de medicamentos desenvolvida a partir da descoberta da Penicilina, deve-se à palavra antibiose. Ela pode ser definida como uma reação ecológica entre duas espécies, onde uma delas prejudica o desenvolvimento da outra, ao liberar substâncias no ambiente.

A ação da Penicilina impede a produção de moléculas de carbono que formam a membrana da bactéria. Quando ela está se multiplicando e começa seu processo de divisão, a Penicilina age tornando as membranas da bactéria cada vez mais finas, até estourarem, deixando escapar o citoplasma de seu interior. Alexander Fleming fez a descoberta que revolucionaria a medicina em 1928. Ainda assim, foi necessário mais alguns anos de estudo e pesquisa para conseguir produzir a Penicilina em grande escala.

Outros dois pesquisadores também tiveram importante papel nesta etapa, logo após o início da Segunda Guerra Mundial em 1939: Howard Florey e Ernst Chain descobriram uma maneira de produzir Penicilina por processo de fermentação, em escala industrial, salvando assim milhares de vidas.

Como reconhecimento pelos grandes avanços trazidos por suas pesquisas, Fleming, Florey e Chain foram agraciados com o Prêmio Nobel de Medicina em 1945. Porém, todos os avanços trazidos com a descoberta dos antibióticos podem ser prejudicados em função do uso indiscriminado destes medicamentos, muitas vezes prescritos sem necessidade.

Como resultado, o surgimento de superbactérias, cada vez mais resistentes e que colocam a todos em risco. Isso ocorre também pela má administração desses medicamentos, que numa primeira etapa eliminam as bactérias mais frágeis. Se o uso for interrompido antes do prazo prescrito pelo médico, as bactérias mais resistentes não são eliminadas, e adquirem resistência sobre o antibiótico, que não terá mais efeito sobre o organismo.

Já estão em fase de testes pela indústria farmacêutica novas classes de antibióticos, que utilizarão no futuro alguns tipos de vírus para eliminar as bactérias, em substituição aos antibióticos tradicionais.

É preciso ter responsabilidade ao administrar esses medicamentos. A automedicação é perigosa e pode trazer muitos danos à nossa saúde, portanto, procure sempre orientação médica!

master

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