A busca pela imortalidade

A busca pela imortalidade

Não é de hoje que o homem tenta prolongar a vida. Desde os tempos mais remotos da história humana o homem tenta encontrar maneiras de estender sua existência. Como somos seres mortais, com prazo de validade determinado, a cultura humana desenvolveu ao longo do tempo crenças e rituais para que mesmo após a morte física a alma pudesse retornar, fazendo com que a vida nunca tivesse fim.

No antigo Egito era comum acreditar que mesmo com a morte do corpo físico a alma retornaria à vida, desde que o corpo físico fosse conservado. Aquela sociedade desenvolveu técnicas avançadas de conservação dos corpos conhecidas como mumificação. A mumificação consistia na retirada das vísceras do cadáver, deixando o espaço interno livre para ser imerso em uma solução de carbonato de sódio e água.

Após essa etapa várias ervas e outras substâncias eram introduzidas no corpo para conservá-lo, evitando que o mesmo entrasse em processo de decomposição. Na última etapa, para finalizar o processo, o corpo era totalmente enfaixado e em seguida coberto por um tipo de cola, fazendo com que ficasse livre de contaminação por fungos e bactérias pelo ar.

O desenvolvimento das técnicas de mumificação foi possível graças aos avançados conhecimentos de medicina dos antigos egípcios, que naquela época já conheciam a anatomia humana, faziam cirurgias e cuidavam de fraturas.

Como toda sociedade, os egípcios eram divididos por classes sociais. Os mais ricos tinham condições de construir grandes túmulos de pedra e os chamados sarcófagos, que abrigavam seus corpos mumificados. As conhecidas pirâmides egípcias eram os túmulos reais, onde ficavam depositadas as múmias dos faraós, magníficas construções que continham uma cripta, a câmara do rei, corredores de ventilação, galerias e corredores secretos, além de passagens falsas para evitar os saqueadores.

Os faraós tinham essa preocupação, pois além de abrigar seus corpos mumificados as pirâmides abrigavam suas riquezas, após a sua morte.

Mas engana-se quem pensa que a preocupação com a imortalidade é algo que fazia parte apenas dos povos mais antigos. Mesmo com todos os avanços da tecnologia e o entendimento da ciência moderna, muitas pessoas acreditam que podem prolongar a vida infinitamente. É claro que o
avanço da própria ciência contribuiu para este tipo de pensamento, saindo da esfera das crenças religiosas e partindo para algo que poderá talvez ser uma realidade dentro de algumas décadas.

A criogenia pode ser descrita como uma moderna técnica de conservação de corpos, semelhantes à mumificação, porém com outros métodos envolvidos. Ela utiliza o congelamento de um corpo, à temperaturas muito baixas, em média 196 graus Celsius negativos. O corpo do cadáver mantido a esta temperatura não se decompõe, sendo essa a semelhança com o processo de mumificação, só que muito mais eficiente.

Pode parecer meio absurdo para certas pessoas esse desejo de vida eterna, mas apesar da ciência não ter avançado ainda no sentido de evitar a decomposição celular, existem três empresas especializadas nesta técnica no mundo. Elas contam atualmente com um total de 350 corpos ou cabeças, em seus tanques, visto que é possível preservar somente essa parte do corpo! O norte-americano James Bedford entrou para a história como o primeiro cadáver a ser preservado pela criogenia.

Ele foi professor emérito de psicologia da Universidade da Califórnia. Morreu aos 73 anos de idade, devido a um câncer de fígado, no ano de 1967. No processo de criogenia o corpo passa, antes de ser congelado, por um processo de drenagem total do sangue. Em seu lugar é injetado um líquido crioprotetor, que possui propriedades conservantes, à base de glicerina. Este líquido impedirá que se formem, dentro das células, cristais de gelo.

Logo após esse processo o corpo passa pela etapa de vitrificação: durante três horas permanece numa cabine com gás nitrogênio circulante, para que todas as partes do corpo sejam de maneira igual congeladas. Ao final dessa etapa, para que a pele não seja prejudicada em razão das baixíssimas temperaturas, o corpo é envolto em um tipo de saco plástico e imerso em um cilindro de nitrogênio líquido a uma temperatura de 196 graus Celsius negativos.

Os adeptos dessa técnica acreditam que em algumas décadas, com o avanço da ciência, será possível obter a cura das doenças que provocaram sua morte. Hipoteticamente, por processo até hoje desconhecido da ciência, acreditam que os cientistas do futuro poderão ressuscitar seus corpos.

Muito embora esse desejo pareça absurdo, a criogenia é amplamente difundida com sucesso para a conservação de embriões congelados, óvulos e espermatozóides de casais que desejam ter filhos no futuro e precisam conservá-los durante um longo período de tempo. Não importa o quanto a ciência avance, o desejo do homem de se tornar imortal sempre existiu e continuará a existir.

master

Envie-nos seu comentário

%d blogueiros gostam disto: